Casa

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Tenho viajado para vários lugares: Paris, Roma, mas nada tem me feito feliz. Eu quero voltar pra casa e você sabe. Dessas noites mal dormidas, dessa gente vazia de tudo, eu sinto saudade de você. Sinto saudade da gente na cama sem fazer nada e ver o dia passar, esfregando nossos pés para que eles ficassem quentes e assim deixá-los em frente ao ventilador até que ficassem frios e a gente pudesse esfregá-los novamente. Sinto saudade de você tomando banho e cantarolando uma música errada e eu te corrigindo. E você sempre me dizia que a letra é de quem canta. Você tinha razão. Sempre com cheiro de flor, com jeito forte e presente. As vezes me pego cantando as mesmas músicas erradas que você cantava. Isso me deixa mais perto.

Não quero mais ficar aqui. Gente esquisita, que me bajula, que não me conhece, que não me merece. Eu sei que fui eu que escolhi vir pra cá. Queria me lançar no mundo e você dizia que eu iria embora. Não acreditei e fui. Mas agora eu só quero voltar pra casa. Escrevendo cartas e poemas sem graças para você, vejo que merece muito mais. Mas eu agora, só preciso e quero voltar pra casa. Me deixe voltar pra gente poder partilhar nossos cafés na sala com biscoitos de nata que a gente fazia, me deixe voltar para as nossas tardes ridículas de chá que você insistia que eu participasse. Sim, eu quero participar dessas tardes ridículas de chá. Aquelas senhoras com cheiro de perfume do século passado, falando da gente, que éramos um casal bonito, e talvez eu não tenha dado tanta atenção porque eu te tinha. Minha rotina era nossa.

Agora eu to aqui, num hotel qualquer, com tudo que eu sempre almejei, mas você não. Então o que importa se você não está aqui para ver minha glória? Para eu poder chorar abraçado a você? O que importa tanto suor, se eu não tenho ninguém além de você para ficar realmente feliz por mim e comigo?

Sinto como se tivesse vivendo a vida de outra pessoa, como se não fosse eu nesse corpo, vestindo essa roupa formal e impecável. Tenho saudade da namoradeira em nossa varanda e daquela grama verdinha. A gente sempre fechava as dormideiras e fazia uma pedido. Gostaria de encontrar uma agora e pedir tudo que eu perdi.

Eu também tinha sonhos, não posso ser crucificado. Você sempre foi muito melhor do que eu com as palavras. Queria não ter tanto medo delas. Daqui a pouco eu me apresento. Receberei um prêmio. Posso dedicá-lo a você? Tanto faz agora. O que eu mais queria na vida era poder voltar para casa. Para nossa casa.

Aline Lima.

 

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3 comentários sobre “Casa

  1. Passei alguns minutos lendo teu blog e nem percebi, aline! Vc escreve bem, eu não sabia, menina!! Me lembrou o tempo que eu desabafava no meu blog pessoal, encarava como uma terapia. Bjss!!

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