Chuva

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 E a chuva me pegou no meio do caminho. Não tive medo dela. Não corri dela. Ao contrário. Andava cada vez mais devagar para sentir cada gota escorrer pelo meu rosto. Entrei no ônibus e via as pessoas olhando pra mim como quem dizia “coitada, ela pegou essa chuva. Ficará doente.” Mal sabiam eles, que eu sentia meu corpo com uma alegria ímpar de estar toda molhada de chuva.

Sentei-me a janela e os vidros embaçados. Nem pude abrir para me molhar um pouco mais. Sem problemas, eu teria de descer do coletivo em algum momento. E desci. E andei mais devagar. E via as pessoas correndo por mim, com suas sombrinhas velhas, quebradas, fugindo da água. Eu sentia que cada gota levava um pecado meu.

Minha blusa estava colada à pele, meus cabelos com vida própria, meus óculos eu tive que tirar. O dia estava como eu gostava: cinzento e londrino. Até que cheguei em casa e fui para o chuveiro para não perder a sensação da chuva. E fiquei lá ganhando meu tempo. Que a chuva me encontre outras vezes para molhar meu rosto e lavar minha alma.

Aline Lima.

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