De mais ninguém

 

carro fantasma (2)

E não importava mais com quem eu estava ou para onde estava indo. Estava na estrada. Peguei o carro sem pensar e queria sair dali. Apenas.  Sem pensar no que poderia ser, sem pensar no depois, sem pensar em segundas chances. Eu queria ir embora. Apenas sair dali.  Embora das suas mentiras, das suas sandices, das suas loucuras, do seu desdém, do seu egoísmo. Eu tinha me libertado de você. Não sei como tive forças para aguentar tanta humilhação, tanta chacota. Mas eu consegui. E descobri que sou mais forte e que me amo mais do que eu pensava.

Percebi que eu tenho muito para aprender, tenho muito mundo para percorrer e eu não consigo mais me ver presa a você. Não consigo mais ver meu mundo junto do seu. Não consigo mais chamar nada de nosso. E isso me faz tão bem. Liguei o rádio, abri a janela e senti o vento levar todo o rancor e angústia que tinha dentro de mim. Deixei levar o absurdo que era respirar você.

Não sou mais sua. Na verdade, eu não sou de ninguém. Me partilho com quem me faz bem. Você era um algoz, mas aprendi a ser brisa. Então, você não pode me prender nunca mais. Dirijo mais rápido. É  madrugada, a pista está vazia. A minha escuridão, as minhas trancas, meus medos se foram. Agora eu sou minha, me dou a quem eu quiser dar. Me entrego a quem eu achar que mereça. Rio quando estiver com vontade. Como para me saciar. Sou minha. E de mais ninguém.

Aline Lima.

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