Fácil

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Apesar de algumas gordas lágrimas terem caído do seu rosto, ela seguiu. Ela tinha sido muito para alguém. Talvez mais do que foram para ela. Ela não tinha arrependimentos no peito, mas não faria tudo que fez novamente.

Teve grande desprendimento em querer fazer parte do mundo do outro, mas só soube ao final que não era bem assim. Não se trata de pessoas prontas, pois nenhum de nós somos e, até o último dia de nossas vidas, não seremos. Mas é o ver a brisa sem se incomodar com o Sol que arde a pele, é o ver passar a vida sem se preocupar com o futuro.

Ela foi o que ela achou que deveria ser. Seu coração está tranquilo. Mas hoje, ela caminha sozinha com a consciência tranquila, sendo ela.

Aline Lima.

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Ela disse

mulher triste

Ela disse muitas vezes que ia cansar.

Ela avisou muitos vezes que era para mudar que estava cansando.

Ela conversou, brigou, chorou, deixou claro que ia embora se as coisas não mudassem.

Um dia ela cansou de vez.

Ela perdeu a paciência, não queria mais conversa, não queria mais saber dos seus problemas, das suas tristezas, das suas inseguranças. Ela estava cansada de ser apenas um bom travesseiro para suas lágrimas. Ela olhou para e disse em tom baixo: “Adeus!” Em tom egoísta ele disse que ela estava sendo insensível.

Ela apenas deu um riso monalisa e respondeu: “Encontre sua consciência, porque a minha está tranquila!” e fechou a porta.

Se ela está feliz? Nunca saberemos. Mas ela sabe que fez a escolha certa.

Aline Lima.

Rosa Chá

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Ela nunca desistiu do amor. Não desses de cinema, melosos, fantasiosos e que dizem para sempre. Ela sabia que tudo acabava uma dia. Mas demorou a perceber que o amor não é gaiola, não é apenas mãos entrelaçadas. Ela sabia de toda as teorias. Ela sabia de todas as músicas, mas nunca tinha vivido um sentimento pleno. Porque a verdade, ela nunca desistiu de amor, e sim das pessoas. Tinha chorado muito, sofrido muito, o coração estava tão calejado pelas adversidades vividas. Então para quê dar mais uma chance se no fim, tudo acaba na mesma coisa?

Ela sabia que todo mundo já tinha sofrido por alguém, e se não ainda, mais cedo ou tarde, iria acontecer. Os anos passaram, a pele já não tinha mais o mesmo viço, os olhos acinzentados, os cabelos fofos e brancos denunciavam a idade. E ela nunca tinha perdido aquele sorriso, aquela alegria.

Ela era diferente sim, ela não era mais a mesma com as ansiedades e esperas. Ela sabia de verdade que as pessoas entravam e saíam da vida muitas vezes sem avisar. Cortou um bocado de peso quando percebeu isso. Economizou um monte de lágrima quando caiu em si e viu que a vida sempre continuará “apesar de”.

E olhando-se no espelho ela sorriu. Ela tinha um sorriso leve e feliz, seu vestido branco com botões delicados e revestidos de um tecido fino, sua única rosa chá, desabrochada, linda e perfumada, como ela, diziam muito mais sobre o momento que estava vivendo.

Ela foi sem medo de encontrar um outro alguém, ela foi sem medo de viver. Ela sabia o que era a vida, sabia o que a tinha levado até ali. Ela estava feliz. Ela estava em paz.

Aline Lima.

Se quiser

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Se quiser jogar comigo, tem que aprender que eu sou a dona da banca.

Se quiser jogar comigo, tem que aprender que eu não tenho pena de riscar teu nome da lista e colocar outro no lugar para “brincar”.

Se quiser jogar comigo, tem que aprender que eu sou daquelas que ri do teu cair e só depois que eu terminar te ajudo a levantar. Se ainda quiser jogar  comigo, saiba que eu “tô” na tua faz um tempo, mas não sou da sua lista. Sou minha, mas posso me apegar.

Aline Lima

Bagunça

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Deixa eu bagunçar. Deixa eu bagunçar seus cabelos, entrelaçando meus dedos nos seus, deixa eu bagunçar a tua roupa, desabotoando devagar tua blusa, olhando teu peito, tua barriga e o resto do caminho.

Deixa eu bagunçar teu armário com as minhas coisas, com as minhas blusas nas tuas gavetas, meus relógios junto com tuas bolsas.  Deixa eu ser teu café da manhã, te servir inteira, olhar tua cara ainda inchada pelo sono e dizer, q belo sorriso!

Deixa eu te ligar, enviar mensagens, mandar flores, agarrar no teu pescoço, te chamar de apelidos ridículos que apenas nós dois saberemos. Deixa eu ser teu amor, ser tua procura, ser o fim dos dias solitários e cinzentos.

Deixa eu te alegrar com anedotas do jornal, gargalhar da vida chata que a gente tem, dessa vida quase solada que temos. Deixa eu ser aquilo que eu sempre quis ser com alguém: eu mesmo!

Aline Lima.

Cartas à ela

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As folhas estavam descansando na minha mesa, e apenas coloquei as letras nela. Seu rosto vinha a minha mente, seu sorriso, seus cabelos cacheados, negros e brilhantes que alisam meu ombro toda vez que você estava triste. Era para você que eu escrevia todas aquelas frivolidades cotidianas, todos os passeios com o cachorro que eu não dei, toda as vezes que saí com você com a blusa amarrotada só para te irritar, todas as vezes que neguei os beijos de boa noite que você me pedia.

A vida é implacável com quem não cuida daquilo que a gente tem: Ela tira! Sem o menor pudor, sem a menor pena. Ela leva de você aquilo que achávamos que teríamos ad aeternum, aquilo que temos como líquido e certo. Pois é meu parceiro, ela foi embora. Numa conversa calma, ela foi. E não vai mais voltar. Ela te deu todas as chances  possíveis, ela chorou, mas tinha a consciência tranquila. Ela queria muito e foi atrás, eu achei que seria pra sempre e não cuidei.

Hoje estou aqui escrevendo cartas para ela. Talvez ela nunca as leia, talvez ela jogue fora, ou então nunca chegue ao destino, mas eu precisava dizer o quanto eu aprendi, precisava desabafar, tirar esse engodo de mim. Ela estará sempre em um lugar especial, mas hoje o que eu tenho, são apenas essas cartas para ela!

Aline Lima.

Sentido

 

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As palavras têm ficado pesadas ao longo do dia.

A verdade, é que elas não fazem mais sentido. Tanto faz se é primavera, calor, noite, dia. O que tem me tomado de sobressalto é a frieza do meu discurso.

Cada dia mais tem sido difícil, tem sido enfadonho. Será que para sempre ? Será que tenho me escondido das verdades? Será que tenho me fingido de cega para o que está na minha frente?

Tem sido pesado descobrir que tudo não é mais tão legal como antes e que o antes nunca foi bom para mim. Para mim, de verdade, foi apenas um fio. Um fio de inverdade que me agarrei não sei porquê.

Aline Lima.