Déjá-vu

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Era um déjà-vu. Já estive ali. Só não sabia como e o porquê.

Eu olhava para você sem entender os motivos, as falas,… Era tudo tudo conotativo, apenas letrável.

Meus sentimentos eram tardígrafos, os seus, vento.

Me joguei num mar de incertezas, me joguei no epicentro das dúvidas.

É assim… Talvez esperamos demais de outrem, esperamos que tenham o mesmo afeto que emitimos. E na maior parte das vezes, são apenas sílabas.

Aline Lima

Qual é o peso?

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Qual é o peso dessas máscaras que sempre carreguei? Relutei em admitir que elas existiam, mas cada dia eu era uma. Às vezes solícita, outras, vazia. Era assim que eu me encaixava na vida.

Eram elas que me animavam a viver a vida miserável que eu tinha. Todos os dias eu me enganava com as mentiras mais sinceras. Éramos parceiras de vida, na vida e para a vida. Era mais fácil, mais seguro, mais confortável conviver, viver, sobreviver assim. Nietzsche me disse uma vez que ‘A mentira mais comum é aquela com a qual um homem engana a si mesmo’.

Até que um dia, envolta em tantas histórias, eu não sabia mais quem eu era, o que ou quem amava. Só sabia amarrar as fitas delas. Olhei no espelho e não me reconhecia mais. Resolvi desatar os nós, e deixá-las cair. Só não sabia o quão difícil era.

Lavada em lágrimas e sofrimento, arranquei todas elas e as joguei fora. Era como se fossem partes de mim. E na verdade, eram. E aos poucos refazer, retomar, reconstruir quem era aquele indivíduo que tinha todos os sentimentos de outrem dentro si, mas não sabia o que de verdade sentia. Não sabia até ali.

Aline Lima.

 

Fim

O olhar de um caminho

Deu-se o fim. O fim das conversas, das risadas, do tempo nublado na janela, dos pés roçando um no outro. Deu-se um fim por tantas coisas, por tantos desolhares.

Sem brigas, sem escândalos… Apenas seguirei com minhas coisas, meus sonhos, minhas realidades.

Não terá mais o bolo quente dividido, terei que aprender a comprar na internet, colocar apenas meu nome nas listas das festas, a conversa no banheiro será monólogo.

A vida não espera a gente se reerguer. Ela está acontecendo e a cabeça precisa estar erguida para que uma onda não nos leve.

O fim dói. Todo fim deixa incertezas. Será? Porquê? Como? Porque aconteceu?

Agora é hora de olhar pra frente. Na vida as coisas passam, como um comercial de televisão. Tem tempo determinado, por mais que não aceitemos, tudo tem seu tempo de vida. Cabe aceitar ou sofrer.

Aline Lima.

Não sei

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Ele me disse que seria apenas casual, nada demais. A gente se encontraria, daria uns beijos e amassos e depois cada um seguia sua vida. No início, eu até gostei, mas com o passar do tempo eu fui querendo mais. Mais olhos nos olhos, mais carinhos, carícias, você em cima de mim, nós dois colados, mais amor.

Inicialmente, pensei:  Que bobagem! Aproveita garota! Pra quê se apegar? Pra quê sentir? E, por mais um tempo eu fui fingindo que não me importava, que toda situação estava confortável e eu estava satisfeita assim. Até que um belo dia, vi mensagens suas para outro alguém. Me senti nada. Meus sentimentos eram prótons, a intensidade era de anti-matéria. Eu queria me apegar, eu queria abraços longos sem motivo. Não sabia que o que me oferecia era tão pouco. A verdade, só me ofereceste o que podia.

Deixei você ir como folhas secas levadas pelo vento. Ligações rareadas, apenas um “oi, tudo bem?” para não passar por mal educada. Você me mostrou que sou sim, um ser que gosta de estar rodeada, que gosta de ser percebida, que gosta de ser constelação. Estou limpando as poeiras que ficaram, abrindo as janelas e deixando o frescor de um ‘me deixa ficar’ adentrar em mim.

Aline Lima.

Ela

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Ela desejava ser essas moças que usam batom nude e vão lindas para a rua. Ou então aplicam um pouco de blush para dar um ar de saúde. Desejava falar baixo, não dizer palavrão, ter cabelos de comercial de xampú, caber naquela calça 40 do comercial. Olhava para os comerciais de cerveja e sonhava um dia, quem sabe, ser uma daquelas saradas com um copo de cerva na mão.

Queria ardentemente ser encaixada num padrão. Seja ele qual fosse. Tentou ser patricinha, grunge, skinhead, bêbada, louca, feiticeira. Ela precisava estar enquadrada. Mal sabia ela o que iria descobrir.

Um belo dia, aos prantos, se olhando no espelho com seus olhos vermelhos, livrou-se dos esteriótipos. Ela era o que ela quisesse ser. Num dia estava arrumada, no outro all star. Num dia, salto alto, no outro, sapatilha.

O que descobriu é que ela não era superfície. Ela era profundidade. Não dava nados rasos e detestava que fossem vazios com ela. Ela era plâncton ou uma Supernova. Não tinha mais espaço para quem tinha morrido e era apenas poeira estelar. Ela falava de fótons com a mesma simplicidade de falar sobre arco-íris

Ela amava com os olhos, beijava as mãos, abraçava os sonhos. Ela queria ser junto, mesmo de longe, ela queria ser perto, mesmo que distante. Ela cuidava, era chata, perguntava, explicava a vida pelos braços de vida própria, pelo pensamento rápido que insistia em fazê-la passar vergonha muitas vezes.

Ela era intensa e não sabia ser de outra maneira. Ela era os batons escuros usados pela manhã, os cabelos soltos e jogados com charme e frequência para trás. Ela era abraço, beijo, aconchego, grito, voz alta. Mas principalmente, ela sabia que agora se pertencia e quem estava junto do coração dela.

Aline Lima.

Despedida

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Não sei quem inventou as despedidas. Mas pra mim, elas nunca foram bem vindas. Saber que, quem se gosta vai embora e mesmo assim deixá-lo ir, é a mesma coisa que brincar com faca sabendo que vai cortar.

Nem as despedidas inventadas eu gosto. Elas vem carregadas de ilusão e sofrimento. Imbuídas de “se”. Se ele fosse meu, se eu o aguardasse na estação. O engordar das expectativas. O eterno “se”.

Tem gente que volta da despedida, tem gente que vai pra nunca mais. Outras preferem um até logo e outras, adeus. Não sei disfarçar pranto de quem está longe. Pagar tributo para a saudade é dolorido, porque ela nunca te respeita. Começa com lágrimas, ardência e, dependendo do tempo, torna-se uma vaga lembrança.

Despedir-se, para alguns pode ser um ato de desapego e amor, para mim, a despedida é rasgo no coração. É não saber o depois, é não saber o além.

Aline Lima.

 

Sonhos

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São eles que me mantém viva, apesar dessa vida insana que eu levo.

São eles que me mantém de pé, apesar de tanta gente dizer que não vou conseguir.

São eles que me mantém meu coração acalentado, quando lá fora é apenas cinza.

São eles que me movem, me levam além, me transformam e fazem o que sou hoje.

Meus sonhos, tão meus, tão íntimos, não divido com ninguém.

Meus sonhos, tão pífio para os outros, mas tão necessários para mim,

Meus sonhos, tão meu espírito, que alegram minh’alma.

Aline Lima.